terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Marxismo trará saúde aos enfermos

"Nós artistas nunca devemos esquecer que a arte pode se se tornar tão potente e eficiente como as armas de guerra. A arte é uma arma que penetra os olhos, os ouvidos e o mais profundo e sutil dos sentidos".

David Alfaro Siqueiros - sobre a contagiante consciencia da potencialidade da arte que os artistas da época pós-revolução experimentavam.

El marxismo le dará salud al anfermo - 1954

No período em que Frida Kahlo pintou a obra O Marxismo trará saúde aos enfermos o seu estado de saúde era bastante precário. Mantinha-se ativa com um esforço sobre-humano e vivia sob constante efeito de analgésicos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Frida Kahlo, À Revolução - Feira do Livro de São Leopoldo

Há dois anos atrás, em dezembro de 2008 estreiamos no I Festival de Esquetes de São Leopoldo, com nosso estudo sobre a pintora mexicana, em estado ainda embrionário: um esquete de 20 minutos. Saímos da estréia contentes pelo trabalho, famintos por mais pesquisa e com o Prêmio do Júri Popular. Hoje, depois da terceira temporada em Porto Alegre e depois de levar o espetáculo para Erechim, Lajeado, Bento, Santa Rosa, Novo Hamburgo, entre outros lugares - voltamos à nossa cidade natal.

É a segunda vez que o espetáculo completo será apresentado na Cidade ( estivemos no Aldeia SESC de 2009) e a primeira que apresentamos  no Teatro Municipal de São Leopoldo. Nossa expectativa é a melhor possível!

A Frida sempre foi uma ávida leitora. Herdou do pai o gosto pela filosofia e pelos escritores alemães (Guilhermo Kahlo ou Wilhelm Kahl, era alemão-judeu). Na época da Escola preparatória, onde estudavam 4000 e apenas 200 mulheres, ela e mais oito amigos formaram o grupo Los Cachucas. Frida estagiava na Biblioteca Nacional, onde o grupo se reunia para ler, recitar poemas e pensar uma arte mais engajada e voltada para a cultura mexicana. Ela jamais imaginava que viraria tema de tantas publicações: biografias; edições sobre artes plásticas;  livros com fotos; livros de medicina, moda, política, etc.

Do mesmo modo que ela se inflava de inspirações garimpadas através da leitura. Nós, que a estudamos há mais de dois anos também bebemos essencialmente na palavra escrita para descobrí-la mais e mais. Abaixo listo nossa bibliografia.
Por tudo isso, estamos muito alegres de voltarmos pro palco onde tudo começou, justamente na programação da Feira do Livro.

P.S. A arte do anexo é minha - uma brincadeira lógico, já que o livro da Rauda Jamis é de 1987. A mão segurando o livro é minha, dessa foto anexada.






1) BIBLIOGRAFIA
KAHLO, Frida – Suas Fotos – Cosac Naify – 2010
LE CLÉZIO, J.M.G – Diego e Frida – Record - 2010
KAHLO, Frida – O diário de Frida Kahlo, um auto-retrato íntimo – José Olympio Editora - 1995
JAMIS, Rauda – Frida Kahlo – Biografia – Martins Fontes - 1987
EGGERT, Edla (Org.) – Re Leituras de Frida Kahlo “Por uma estética da diversidade machucada” – Santa Cruz do Sul – Edunisc – 2008
KAHLO, Frida – Compilação Martha Zamora – Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo – José Olympio Editora -1999
KETTENMANN, Andrea – Kahlo Dor e Paixão – Taschen – 1994
BURRUS, Cristina – Frida Kahlo “I Paint my Reality” – Thames & Hudson – 1995
MAYAYO, Patrícia – Frida Kahlo Contra El Mito - 2008 –Ed. Ensayos Arte Cátedra, Madrid.
HERRERA, Hayden. Frida: una biografia de Frida Kahlo
Internet:
Página oficial de Frida Kahlo, You Tube, Google.
Cinema:
TAYMOR, Julie – Frida – 2002
LEDUC, Paul - Frida, Natureza Viva - 1983
Música:
VARGAS, Chavela – Discografia Completa.
DOWNS, Lila – Discografia Completa.
Contribuição especial de André Sidnei Musskopf, teólogo, pesquisador e estudioso da vida e obra de Frida Kahlo – autor do artigo VEADAGENS TEOLÓGICAS, publicado no livro Re Leituras de Frida Kahlo “Por uma estética da diversidade machucada” e de Edla Eggert, professora e pesquisadora na UNISINOS, organizadora do livro citado e autora do artigo A APATIA DE QUEM OLHA: A VIOLÊNCIA NATURALIZADA.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Um gostinho de nossa Frida Kahlo em Santa Rosa...

MANIFESTO CULTURAL RESISTÊNCIA


Para Fazer a Diferença



Num mundo dominado por uma cultura de massa cuja qualidade varia, do péssimo ao inaceitável, a informação é regra e a cultura é exceção. Informação passa, cultura fica. Os grandes centros culturais do país condenaram os núcleos periféricos à inação, porque acreditam que estes núcleos não tem identidade e aceitam, submissos, esta condição. Há quatro anos o GRUPO RESISTÊNCIA colocou-se na contramão deste processo, buscando gerar um embrião identitário para a cultura de Santa Rosa, estruturado em 3 princípios:

1) A cultura de Santa Rosa tem uma identidade própria;

2) Esta cultura precisa ser, sistematicamente, organizada e agregada;

3) Sistematizada e organizada esta cultura deve, necessariamente, ver-se e ser vista, para poder reconhecer-se e ser reconhecida e assim, evoluir livremente.

Estes quatro anos de batalha em defesa de nossa identidade cultural, nos levou a realizar além de Santa Rosa, ações culturais em Ijuí, Bento Gonçalves, São Leopoldo e Porto Alegre. Em todos estes lugares a validade do projeto foi reconhecida e aprovada.

Nessas andanças e ficanças estruturou-se o PROJETO RESISTÊNCIA: MARGENS DA UTOPIA. Somos utópicos por natureza, acreditamos em coisas e lugares que (ainda) não existem. E, sim, temos consciência de que estamos geograficamente à margem, mas rejeitamos a marginalização. Assim, nos dias 05 e 06/11/2010, entre um FINADOS e uma PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, vamos desfraldar mais uma vez a bandeira da IDENTIDADE CULTURAL DE SANTA ROSA, instituindo uma virada cultural e uma muvuca de diversidade, pluralidade e responsabilidade. O centro geográfico de tudo será o SESC Santa Rosa e a programação TOTALMENTE GRATUÍTA e aberta a população ocupará o palco e o hall deste centro cultural da tarde do dia 05 até a noite do dia 06. Entre as atrações estão:


LARRY WIZNIEVSKY - JORNALISTA E PROFESSOR, GUSTAVO CAFÉ AZAR - ANTROPÓLOGO (ARG), LUIS EDUARDO RUBIRA - DOUTOR EM FILOSOFIA - USP E PARIS -UFPELl, GASTÓN NAKAZATO – MÚSICO/COMPOSITOR (ARG), JUÇARA GASPAR - ATRIZ (POA), LUCIANO ALVES - MÚSICO/COMPOSITOR (POA), CLÁUDIO JONER - MÚSICO E COMPOSITOR, SCHIMO - DJ CULTURAL, MÓ - ARTISTA PLÁSTICO E CARTUNISTA, AMPLIFIELD, ANDERSON FARIAS – CINEASTA, ANTÔNIO CARLOS CARECA E DARLAN ORTAÇA, APLAS, ASES, CIA DE DANÇA MOVIMENTOS, CIA. SANTA ROSA EM DANÇA, CORAL DA ORQUESTRA SANTA ROSA, CORNELIA KUDIESS - ARTISTA PLÁSTICA, CRISTIANO MELCHIOR – MÚSICO, DOM BOSCO EM DANÇA, HAMILTON MUNHOZ – ARTISTA PLÁSTICO, GRUPO ATIVAR – TEATRO, GRUPO CATAVENTO - TEATRO (GEGA), LUCIANE MIRANDA - ARTISTA PLÁSTICA, MARIA LUISA LEHR – ARTISTA PLÁSTICA, NARDA LUNARDI - BAILARINA/FLAMENCO, OFICINA MUNICIPAL DE CINEMA, ON TRUPE - SOM E CENA, PATRICIA PRESTES - CANTORA, PRIMEIRA CLASSE – INSTRUMENTAL, RECITAL - ESCOLA DE MÚSICA



A experiência desses quatro anos resistentes gerou em nós uma certeza. As culturas morrem pela omissão. A função principal de quem acredita em uma IDENTIDADE CULTURAL DE SANTA ROSA É INSTITUIR CONDIÇÕES PARA QUE ELA FAÇA A DIFERENÇA. O PRIMEIRO RESISTÊNCIA: MARGENS DA UTOPIA É UMA PROFISSÃO DE FÉ EM UMA IDENTIDADE CULTURAL AMPLA, PLURAL E IRRESTRITA DE SANTA ROSA. CONTRA A OMISSÃO E PELO COMPARTILHAMENTO DE UMA UTOPIA COMUM, UM SISTEMA DE PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE CULTURA PRODUZIDO EM SANTA ROSA, POR SANTA ROSA, PARA O BRASIL E PARA O MUNDO.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ivo Bender, Santa Rosa e Psicodália!

1) Enviamos e-mail pro Psicodália inscrevendo o Frida para apresentar lá, durante o Carnaval. Ia ser demais!
2) Estaremos em Santa Rosa/RS, mostrando uma parte de nossa peça - virada cultural - 05 e 06 de novembro,
junto com os amigos/realizadores do RESISTÊNCIA - MARGENS DA UTOPIA.
3) Estudando o Ivo Bender pro Get e o Tenesse Williams pro Dad.

"Que teatro escrever, é a pergunta que novamente retorna.Como denunciar, como atacar um sistema visivelmente nocivo ao homem? Como trabalhar com as questões que se nos apresentam, sem retornar ao surrado teatro de panfleto e sem ter de fazer uma enfadonha dramaturgia de tese? A pergunta é de difícil resposta e qual o modo mais eficaz para denunciar o terror e a miséria neo-liberais no Brasil, só o tempo poderá apontar."
Ivo Bender

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Imperdível crônica de Zé Celso sobre Tropicália, Caetano, Lula, Dilma - Lucidez, amor e arte!

Tropicália Sob o Signo de Escorpião


7 de novembro de 2009

No mesmo dia que Caetano fazia sua entrevista de capa, muito bela como sempre, no “Caderno de Cultura do Estadão”, o Ministro Ecologista Juca Ferreira publicava uma matéria na Folha na sessão Debates. Um texto extraordinariamente bem escrito em torno da Cultura, como Estratégia, iniciada no 1º Governo de Lula ao nomear corajosa e muito sabiamente Gilberto Gil como Ministro da Cultura e hoje consolidada na gestão atual do Ministro Juca. Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.

Por outro lado meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto pra Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Percebi isto ao prefaciar a tradução em português criolo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: “Brutality Garden”, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira na Tulane University de New Orleans.
Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente Antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetês, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.
Lula começou por surprender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das relações exteriores, Marina Silva para o meio ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.

Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado Oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a “res pública”. Tudo dentro dum futebol democrático admirável de cintura. Lula não para de carnavalizar, de antropofagiar, pro país não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.

Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo quando convoca os jornalistas da Folha de São Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A Interpretação da Editoria é a do Jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí , quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.

Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num Teatro Grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, Lula é um Intérprete dela: a Vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômemos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?

Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura & Educação.

Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarto grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na “Estrela Brasyleira a Vagar – Cacilda !!” para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendo este programa tétrico.

Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. “Amor Ordem e Progresso”. O Amor guilhotinado de nossa Bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.
Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta calegoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos como a sagração da natureza, a liberdade e a Paixão pelo Amor Energia, Santíssima Eletricidade. Sinto que nestas duas pessoas que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda não caíram.

A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai decicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega a hierarquia máxima do Teatro: a que corresponde ao Papa no Catolicismo: o Palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é a toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.

Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Esta “estasia”, Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que Exista!
Lula faz Política Culta e com Arte. Sabe que a Cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é Super, é Infra Estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazileiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um País de Poesia de Exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:


“Vício na fala


Para dizerem milho dizem mio

Para melhor dizem mió

Para peor pió

Para telha dizem têia

Para telhado dizem teado

E vão fazendo telhados”





Zé Celso

SamPã, 6 de novembro

sob o signo de Escorpião

sexo da cabeça aos pés

minha Lua de Ariano

sábado, 18 de setembro de 2010

Frida Kahlo, à Revolução! faz aniversário neste setembro!!!!

Estreiamos, como peça, em set/outubro de 2009 no Teatro de Câmara Túlio Piva - dentro do projeto Novas Caras. Para comemorar nosso aniversário de um ano de espetáculo, estamos bolando uma agenda bacanérrima que contará com uma nova temporada em novembro e algumas intervenções surpresas. Aguardem!

A arte de nosso primeiro programa. Um saudosismo bom pra caramba!


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Frida Kahlo, através da dor com a própria dor" por Luciana Hoffmann*

Durante esta temporada na sala 309, tivemos a presença linda de três cariocas que vieram à Porto Alegre à passeio e ao se deparar com um cartaz de nossa peça, não pensaram duas vezes. Pois além de nos prestigiar na Usina, continuamos em contato e pelo jeito, essa amizade iniciada pelo apreço à pintora Frida Kahlo, renderá muitos outros frutos. Agradecemos o carinho que a Carla, a Michelle Reis e a Luciana Hoffmann nos dedicaram e deixo abaixo o texto que a Lu escreveu e postou em seu blog:

"Deus tem me presenteado com expressões artísticas tão maravilhosas! No último sábado, fui assistir à peça Frida Kahlo, à Revolução, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. E pude presenciar um trabalho excepcional de envolvimento e tamanha entrega a uma alma guerreira que expressava na pintura toda sua revolta, dor e libertação. Frida Kahlo, a grande artista e filha da Revolução Mexicana (1910), mulher que abriu o seu corpo e expôs o violento arder de uma profunda ferida, doída, costumava dizer que "a força que não se exprime é implusiva, destruidora, devastadora. Expressar-se é começar a libertar-se". Foram destas e de tantas outras palavras e ideias reveladoras que a atriz Juçara Gaspar se apropriou para compor a personagem (acredito eu) da sua vida. A simbiose entre Frida e Juçara era refletida, o tempo inteiro, na aura presente no palco de simples cenário e símbolos imagéticos, que, suavemente brutais, semeavam o retrato da história. Uma delicada luz delineava as memórias destas mulheres viscerais, cujas artes são traduzidas como relicários belamente transformadores. A obra inicia com uma melodia doce, não menos tocante, pois as lágrimas lavaram os meus olhos. Então, compreendi que essa canção, dedilhada pelo músico Luciano Alves, no primeiro ato, era uma forma de preparação, de limpeza dos sentidos, para que eles se abrissem ao que estava por vir. Uma das estrofes diz "quem se engana não és tu que tens coragem pra gritar, que tens coragem de amar. Mas se engana quem rejeita o seu próprio autorretrato, na dor de quem anda ao seu lado". O diretor Daniel Colin recebeu-me com tanto carinho e atenção, certamente da mesma maneira com o qual dedicou-se a essa montagem. Com tudo isso, vi que arte é a beleza de corações pulsando juntos."

* Luciana Hoffmann é jornalista, fotógrafa e atriz - além de surfista, claro!
Veja a postagem na íntegra no blog: http://nectardeafrodite.blogspot.com/


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Uma justa homenagem - DANIEL COLIN

Esse belo click foi feito pela Lara. Já na primeira vez que o vi, pensei em postar aqui no blog. Uma postagem especial sobre o nosso diretor, que não é só um dos trabalhadores do teatro mais premiados do RS nos últimos tempos, mas também um ser humano iluminado, com alma eterna da diversão, de estar com as pessoas, de fruir no trabalho, de muito sério e pensativo nas decisões.

Para fins formais: Daniel Colin também é: (2010-...) Mestrando em Artes Cênicas (PPGAC/UFRGS); (2004) Bacharel em Artes Cênicas – Hab. Interpretação Teatral (DAD/UFRGS); Professor de teatro desde 2004, ano em que também estreiou como diretor com GORDOS ou somewhere beyond the sea, roteiro do grupo Teatro Sarcáustico, tendo somado, desde então, 7 trabalhos em Direção; como ator trabalhou em mais de 13 espetáculos. As premiações pelo trabalho realizado, começaram em 2005, mas foi em 2008 que a prateleira do Sarcáustico enfileirou três troféus:
(2008) Troféu RBS Cultura de Melhor Espetáculo Infantil por Jogo da Memória;
(2008) Prêmios Tibicuera de Teatro Infantil de Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Dramaturgia por Jogo da Memória;
(2008) Prêmio Açorianos de Teatro de Melhor Dramaturgia por A Vida Sexual dos Macacos;
Além dos três troféus com o Sarcáustico em 2008, juntamente com toda a equipe do espetáculo O Médico à Força - No qual trabalhou como ator - recebeu o Troféu RBS Cultura de Melhor Espetáculo.
Em 2009, Daniel colin recebeu o Prêmio Braskem de Melhor Ator por A Vida Sexual dos Macacos e O Médico à Força;

Em 2009 aceitou entrar conosco no mundo de Frida Kahlo e desfrutar de todos os sentimentos confluentes que surgem quando se trabalha com uma biografia de alguém tão viceral como Ela. E estamos todos juntos desde então. Que este trabalho continue fluindo. Que cresça e apareça COMO A LUZ DO SOL!

Em 2010 o Sarcáustico vêm trabalhando em seu novo espetáculo que estréia em OUTUBRO, no dia 16 - na Usina do Gasômetro.
Acessem o blog do grupo, assistam aos vídeos e preparem-se:
http://www.teatrosarcaustico.blogspot.com/

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Últimas apresentações na Usina do Gasômetro!

Outra temporada que termina com gosto de quero-mais! Tivemos já seis, das oito apresentações e muitas coisas pra contar...a lembrança alegre dos abraços que ganhamos; a parceria do grupo de trabalho; o aniversário da Patrícia Colin e da Carol Zimmer, duas 'fridas' do coração; as garotas cariocas Michelle, Carla e Luciana; cada dança durante Romance In Durango - ao som do Ukelele do Luciano Alves; A alma leve do nosso diretor Daniel Colin e seus comentários-pérolas que tanto nos fazem rir; o espelho partido da terceira semana; o papá onde deveria estar Diego, rsrsrsrsrs.
Agradecemos pela clarividência da FRIDA-PONTE, essa conexão na qual este trabalho nos lançou. Não teríamos vivido tudo isso se ela não estivesse entre nós.

Frida Kahlo, à Revolução!
Sala 309
Sábado e Domingo
28 e 29 de agosto - 20 horas
Ingressos à R$ 10,00 no local
(50% desc. classe, idosos e estudantes)

Foto: Lolita Fernanda Magni

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Convite para exposição de Frida

No início de 1953 o Instituto de Belas Artes do México,  Diego Rivera e Lola Alvarez, decidem antecipar a homenagem  do México à  Frida Kahlo, dado o estado de saúde da pintora.  A perspectiva dessa exposição faz ressurgir a energia de Frida
que, já com a perna amputada, estava em estado sombrio, desolador. "Ela mesma escreve os convites, na forma de uma poesia inspirada nos corridos populares de que ela gosta, mistura de sarcasmo e ternura:

Con amistad y cariño
nacidos del corazón
tengo el gusto de invitarte
a mi humilde exposición.

A las ocho de la noche
-pues reloj tienes al cabo
te espero en la galería
d´esta Lola Alvárez Bravo.

Se encuentra en Amberes doce
y con puertas a la calle
de suerte que no te pierdas
porque se acaba el detalhe

Solo quiero que me digas
tu opinión buena y sincera.
Eres leido y escribido
tu saber es de primera.

Estos cuadros de pintura
pinté con mis propias manos
esperan en las paredes
que gusten a mis hemanos.

Bueno, mi cuate querido
con amistad verdadera
te lo agradece en el alma
"Frida Kahlo de Rivera"

"Com amizade e carinho / nascidos do coração / Tenho gosto em convidarte / Para minha humilde exposição. // Às oito da noite / - Pois, afinal, tens um relógio / Te espero na galeria / Desta Lola Alvarez Bravo. // Fica na Amberes número doze / E com portas para a rua / De modo a que não te percas / E se acabam os detalhes. / Quero apenas que digas / Tua opinião justa e sincera. / És lido e culto / Teu saber é de primeira. // Estes quadros de pintura / Pintei-os com minhas mãos / Eles esperam na parede / Para agradar aos meus irmãos.// Pois bem, meu querido amigo, / Com amizade verdadeira / Agradece-te na alma / Frida Kahlo de Rivera."

Le Clezio, J.M.G - Diego e Frida - Ed. Record, 2010 - p.222

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Diego e Frida por JMG Le Clézio.

1) Estamos muito felizes com o CARINHO com o qual fomos recebidos no Salão de Atos da Feevale, na terça-feira passada!Parabéns à Um Produtora pelo belo trabalho que vem desenvolvendo e o nosso agradecimento especial às mais de quatrocentas pessoas que foram nos assistir!

2) Voltamos à Porto Alegre onde ficaremos em cartaz até dia 29 de agosto - sábados e domingos - 20 horas. Ingressos à preços populares R$ 10,00, com desconto de 50% para estudantes, classe artística e idosos.

Estou com a mais recente biografia do casal mexicano, lançada pela Ed. Record e escrita pelo romancista Le Clézio - nobel de literatura em 2008. O autor conta fatos importantes na vida dos dois antes do casamento em 21 de agosto de 1929 e prossegue, revelando detalhes pessoais, políticos, da vivência e das artes.

Assim ele conta como Frida iniciou a compreensão de si:

"É então que Frida imagina o projeto de revolução interior que vai guiar toda a sua existência - que é sua verdadeira fé, seu único futuro. É em Guernavaca que ela concebe sua luta pela justiça, naquela harmonia com o mundo indígena, na sensualidade daquela natureza ainda tão próxima do que era no começo, e cuja alma se identifica tão bem com a de Zapata."
pág. 82

Viva La Vida!


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Frida Kahlo na Feevale!


Os ingressos antecipados podem ser adquiridos na Tesouraria do Campus I, no Atendimento Feevale do Campus II, na loja da Rede Sinoscar e na Mapa Papelaria (Rua Joaquim Nabuco, 794, Centro, Novo Hamburgo). O público em geral paga R$ 10,00, graduados e pós-graduados Feevale e Cartão do Assinante Jornal NH pagam R$ 7,00, estudantes e idosos acima de 60 anos pagam R$ 5,00.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FRIDA KAHLO, à Revolução! na Feevale nesta terça-feira, 17 de agosto - 20hs!

Nosso espetáculo aporta em Novo Hamburgo, nesta terça-feira dia 17 de agosto, às 20hs no Campus II da Feevale. Estamos muito alegres de voltar ao Vale do Sinos, lugar onde muito trabalhamos e que levaremos pra sempre conosco, com verdadeiro apreço!
Fazemos um convite direto à todas/os os interessados em arte em geral: os amantes da dança, os apreciadores de música, os que são seduzidos pelas artes plásticas, os entusiastas do teatro. Há um pouco de cada uma dessas artes em nosso espetáculo, uma verve latente e de movimento, como é a vida. Vida pela qual Frida lutou intensamente!


Local: Salão de Atos
Feevale Campus II RS-239, 2755
Novo Hamburgo • RS
Maiores informações: Um Cultural 51 30666229

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Frida Kahlo, à Revolução! na Usina do Gasômetro = 100 anos de Frida Kahlo

FRIDA KAHLO, à Revolução! de volta à Usina, nesse agosto - sábados e domingos - 20hs! Venham sentir o universo íntimo e revolucionário dessa mulher de força e paixão! 
Ingressos à preços populares: R$ 10,00


Nessa foto - feita por Beatriz Sallet na apresentação de Bento Gonçalves, em junho deste ano - eu e o músico Luciano Alves estamos no exato momento de nosso dueto, quando a Frida canta para exorcizar seu amor! A canção escolhida para este momento foi Paloma Negra, da cantora mexicana, Chavela Vargas. Algumas pessoas, como já aconteceu, podem pensar que é influência do filme de Julie Taymor/Salma Hayek. Ledo engano. O filme é só uma veia, do grande sistema circulatório que nos une à Frida e por isso, é impossível não mencionar a Chavela em nossa trilha, já que ela foi amiga íntima do casal Rivera e cantava músicas típicas da cultura de seu país.

Desde 2008 nossa expedição nesse universo criativo e dolorido de Frida Kahlo vai aprofundando-se um pouco todo dia, enquanto nos inflamos de leituras, filmes, fotos, artigos e todo o tipo de informação que possa nos tirar de um ponto e nos alçar para além...mais próximos dela, dentro do seu mundo exótico e latente.

Para os que gostam de pesquisa ou do simples fato de saber mais - de sentir prazer com as descobertas - segue abaixo dicas de livros e filmes (com algumas observações) que mostram o quanto a Frida é inesgotável, intensa e apaixonante.

B I B L I O G R A F I A

KAHLO, Frida – Suas Fotos – Cosac Naify – 2010
Antes de morrer Diego confiou a dona Dolores Olmedo todo o arquivos pessoal do casal. Ela conservou o arquivo por mais de cinquenta anos e só após o falecimento de dona Dolores ele foi aberto, organizado, catalogado e algumas das imagens do arquivo pessoal da Frida, foram publicadas aqui -  seguindo os seguintes temas principais: Origens, Papai, A Casa Azul, O Corpo Dilacerado, Amores, A Fotografia e Luta Política.
LE CLÉZIO, J.M.G – Diego e Frida – Record - 2010
Este livro me chegou às mãos ontem. Le Clézio ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 2008 por seu romance. Acabo de ler o prólogo e penso que esta obra promete. É bom ler uma biografia escrita por um romancista, a narrativa flui versátil e menos lugar comum.
EGGERT, Edla (Org.) – Re Leituras de Frida Kahlo “Por uma estética da diversidade machucada” – Santa Cruz do Sul – Edunisc – 2008
Este foi o livro crucial em nossa pesquisa. Reúne vários olhares sobre a Frida, sua humanidade, sua luta e a forma como ela lia o mundo a sua volta. Foi o segundo livro de nossa pesquisa e essencial, já que dois dos autores são professores de universidades daqui do RS e pudemos estar juntos, conversar e trocar.
MAYAYO, Patrícia – Frida Kahlo Contra El Mito - 2008 –Ed. Ensayos Arte Cátedra, Madrid.
O livro aborda todos os grandes acontecimentos da vida de Frida, sem romanceá-los. Quer desmistificar e tratar da obra plástica de Frida, sem que a "lenda" engula a arte real que a pintora criou! Só conseguimos este em espanhol ( ainda não foi publicado no Brasil).
KAHLO, Frida – Compilação Martha Zamora – Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo – José Olympio Editora -1999
Aqui é que a gente se emociona mesmo. Se rasga de dor. Frida escrevia muito e bem. Neste livro há cartas para seus amigos, seus amores, seus médicos, sua família. Cartas escritas com toda a vida, com amor, desejo, força e muita poesia. Além de tudo, ela inventava palavras, misturando o Inglês dos gringos, o Alemão de seu pai, e sua amada língua Mexicana ( Espanhol? Não, eu não falo espanhol. Eu falo Mexicano. Os espanhóis não nos deram nada além da Igreja e do chicote! - Pancho Villa).
KAHLO, Frida – O diário de Frida Kahlo, um auto-retrato íntimo – José Olympio Editora - 1995
Este me foi emprestado por uma amiga e continua comigo. Não sei quando vou devolver, já que está esgoatado na editora e só se consegue usado, por uns R$ 200,00 na Estante Virtual - rede de sebos. É o diário da Frida, com suas dúvidas, pensamentos, desenhos, desabafos. Mais uma mostra do quão bem ela escrevia. O diário é colorido
BURRUS, Cristina – Frida Kahlo “I Paint my Reality” – Thames & Hudson – 1995
É um livro que fala sobre a obra e a vida de Frida. É em inglês, reumido e direto.
KETTENMANN, Andrea – Kahlo Dor e Paixão – Taschen – 1994
Também mescla obra e vida da pintora. Reúne muitas fotos e imagens das pinturas. Mais completo que o inglês.
JAMIS, Rauda – Frida Kahlo – Biografia – Martins Fontes - 1987
É uma biografia romanceada.
HERRERA, Hayden. Frida: una biografia de Frida Kahlo - 1983
A mais documental biografia da pintora. Herrera foi a fundo e fez uma minuciosa pesquisa, colhendo dados, ouvindo amigos, familiares e conhecidos.
Cinema:
TAYMOR, Julie – Frida – 2002
LEDUC, Paul - Frida, Natureza Viva - 1983
EISENSTEIN, Sergei - Que Viva o México - 1931
BERESFORD, Bruce - E estrelando Pancho Villa - 2003

Contribuição especial de André Sidnei Musskopf, teólogo, pesquisador e estudioso da vida e obra de Frida Kahlo – autor do artigo VEADAGENS TEOLÓGICAS, publicado no livro Re Leituras de Frida Kahlo “Por uma estética da diversidade machucada” e de Edla Eggert, professora e pesquisadora na UNISINOS, organizadora do livro citado e autora do artigo A APATIA DE QUEM OLHA: A VIOLÊNCIA NATURALIZADA.

Em 2007 o Instituto Humanitas da Unisinos, reuniu os olhares destes e de outros teólogos na revista do Instituto - número 227. São nove entrevistas: Edla Eggert, Andrè Musskopf, Cláudio Carvalhaes, Vitor Westhelle, Marcella Althaus-Reid, Maria Laura Manrique, Marga Stroher, Haidi Drebes e Cátia Ines Schuh.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Frida Kahlo Revisitada

Frida Kahlo revisitada


Escrito por Rafaela Haygertt e postado no site do IPA - seção CULTURA

Quarta, 16 de Junho de 2010 - 13:58

'Frida Kahlo, à Revolução' é um passeio artístico na vida e arte da pintora mexicana. Sofrida, guerreira, comunista, revolucionária e amante da vida. Assim era Frida, descrita no espetáculo dirigido por Daniel Colin.
A peça narra de forma poética a trajetória política de Frida Kahlo, o seu conturbado casamento com Diego Rivera e a breve passagem pelos Estados Unidos e França. Também conta o seu envolvimento com Trotski.
A trilha sonora do espetáculo fica por conta de Luciano Alves, que atua como um trovador e ajuda a narrar a apaixonante história da artista. A iluminação é de Carol Zimmer, a cenografia é de Lara Colleti e a coreografia traz a assinatura de Daniele Zill.
Para a estudante de ciências Sociais, Pagu Gomes, que já conhecia a história de Frida, a trilha sonora foi o melhor da apresentação. Na avaliação do estudante de Direito, Roger Rafael Lisboa, o melhor da peça foi o seu roteiro. E complementa: "Frida empresta genialidade à atriz".
Frida Kahlo, interpretada por Juçara Gaspar, é uma pintora nascida durante a Revolução mexicana. Em conseqüência de um acidente de ônibus, aos 19 anos, Frida passou a vida inteira lutando contra as seqüelas, incluindo a dor, retratada em suas obras. A artista morreu em julho de 1954.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Frida Kahlo - Suas Fotos

Frida Kahlo - Suas Fotos - Cosac Naify, 2010
524 pp.

O livro traz um acervo inédito de fotos do arquivo pessoal de Frida.
As imagens com dedicatórias, marcas de batom e recortes,  ilustram
a influência direta que a fotografia exerceu sobre a obra da pintora.
Muitas fotos foram tiradas pelo fotógrafo Guillermo Kahlo, seu pai.
Outras tantas, por Tina Modotti, célebre fotógrafa e amiga íntima dos
Kahlo y Rivera.

Um belo livro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

CUMPLEAÑOS DA CHICA! VIVA FRIDA! VILA LA VIDA!



  "Vi Frida Kahlo apenas uma vez. E antes, eu a ouvi. Eu estava num concerto no Palácio das Belas-Artes, no centro da Cidade do México, que tinha as paredes decoradas com os inflamados, por vezes estridentes, murais de Orozco, Rivera e Siqueiros.
  Quero dizer que quando Kahlo entrou em seu camarote no segundo nível do teatro, toda aquela magnificiência e todas aquelas coisas que nos distraíam como que desapareceram. O tilintar do movimento.   O magnetismo do seu silêncio. Foi a entrada de uma deusa asteca , Coatlicue, a deusa mãe vestida com sua saia de serpentes, exibindo as mãos sangrentas do mesmo modo que as outras mulheres exibem o broche, ou o anel... Ou talvez fosse Tlazolteotl, a divindade da pureza e da impureza no panteão indígena, o abutre feminino que devora as sujeiras para manter o universo limpo., Ou quem sabe, víamos a Mãe Terra Espanhola, a Dama de Elche, enraizada no solo pelo peso do seu elmo de pedra, seus brincos tão grandes quanto rodas de carros, os peitorais devorando-lhe os seios, os anéis transformando suas mãos em tenazes.
  Uma árvore de Natal?
  Uma quermesse?
  Frida Kahlo parecia mais uma Cleópatra partida, escondendo seu corpo torturado, sua perna atrofiada, seu pé quebrado, seus espartilhos ortopédicos, sob os espetaculares atavios da camponesa do México, que, há vários séculos mantém suas antigas jóias zelosamente guardadas. Os laços, as fitas, as saias, as anáguas sussurrantes, as tranças, os toucados lunares abrindo-se sobre sua face como asas de uma borboleta escura: Frida Kahlo, mostrando-nos tudo aquilo que o sofrimento não fora capaz de emurchecer, nenhuma rigidez doentia, sua infinita variedade".
                                     Carlos Fuentes - Kahlo, Frida, 1910 - 1954 - O diário de Frida Kahlo, Introdução.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Diário - Infância

No aniversário de 37 anos de Frida Kahlo, Diego lhe presenteou com um diário. Desde então, ela escreveu sobre sua vida, com passagens sobre a infância, juventude, suas inspirações, sua luta contra a dor, etc. Foi também nas páginas desse diário que Frida escreveu sua despedida (por conta disso, suspeita-se que ela tenha cometido o suicídio).

O diário é lindo e colorido como a Frida...traz esboços e rascunhos, idéias e vontades. Vale a pena tê-lo por perto...
Transcrevi passagens sobre a infância:

"Nasci no quarto de esquina da Londres com Allende, Coyoacán. À uma hora da manhã. Meus avós paternos eram húngaros - nascidos em Arat, Hungria - e depois de casados foram viver na Alemanha onde tiveram vários filhos entre eles o meu pai, em Baden-Baden, na Alemanha. Ele emigrou para o México no séc. 19. Aqui ficou pelo resto da sua vida. Casou-se vom uma jovem mexicana, mãe de minhas duas irmãzinhas, Luisita e Margarita. Sua muler morreu muito jovem e ele casou-se com minha mãe Matilde Calderón y Gonzales, uma dos doze filhos de meu avô, Antônio Calderón de Morelia, indígena mexicano de Michoacán e de minha avozinha Isabel Gonzales y Gonzales filha de um general espanhol (...)
Minha infãncia foi maravilhosa porque embora meu pai fosse doente (tinha vertigens a cada mês e meio) era um exemplo de ternura e de trabalho (fotógrafo e tb pintor) e sobretudo de compreensão para com os meus problemas, que desde a infância eram de
origem social. Vi muito criança a Decena Trágica. Vi com meus olhos a luta camponesa de Zapata contra as tropas de Carranza. Minha posição era muito clara. Abrindo as portas que davam pra rua Allende minha mãe deixava entrar os zapatistas fazendo com que os feridos e os famintos entrassem na sala. Ela os tratava e lhes dava bolos de milho - único alimento que naquela época se podia conseguir em Coyoacán. A emoção clara e precisa que conservo da Revolução Mexicana foi o motivo pelo qual aos 16 anos de idade ingressei na juventude comunista." F.K.

sábado, 12 de junho de 2010

Uma Revolução de todas/os e de cada uma/um!

Em cada noite de apresentação, numa cena da peça, a Frida brinda! É claro que o brinde é dentro de um contexto, que guarda muitos signos. Ouvimos e lemos tantas coisas a nosso respeito quando colocamos um trabalho em cena, algumas pertinentes e outras tão doidas. Mas numa coisa todas/os concordamos: os que criam e os que avaliam, sentem, vibram, etc. Tudo têm muito amor. Daí a Revolução! Daí o fio condutor desta postagem: este é um ótimo momento para um brinde!

VIVA LA VIDA!

Hoje e amanhã, estaremos fazendo as últimas apresentações da peça Frida Kahlo, à Revolução! na sala 302 da Usina do Gasômetro/POA, sempre às 20hs. Os ingressos são vendidos no local, uma hora antes do início do espetáculo. Na quinta, vamos à Erechim; na sexta à Bento Gonçalves e no sábado à Lajeado, pelo ArteSesc.

UMA REVOLUÇÃO DE TODAS/OS E DE CADA UMA/UM!

É enorme o prazer de ver um trabalho tomando forma, crescendo e expandindo-se de sensações! Mesmo ouvindo inúmeras vezes que, ser artista nesse país é ter simpatia sadomasoquista e outras sentenças similares (que-entram-num-ouvido-e-saem-noutro), sabemos que em nosso plexo solar só cabem o AMOR-TÃO-TÃO-absorvente: pura-avidez, com a qual se segue atrás de uma idéia, se encharcando de possibilidades pra atingir algo numa atuação, num papel, numa personagem, numa direção, numa criação de luz, de cenografia, de coreografia e/ou de uma trilha sonora.



Frida se encharcava assim também e fez muito habitando um corpo que não acompanhava sua energia interna! É por isso o nosso brinde: à Revolução que iniciamos no momento de nosso nascimento, nossos passos, às tentativas de vencer nossas limitações pessoais, físicas, sentimentais, intelectuais e psicológicas!

Que continuemos a nos revolucionar, numa fé inesgotável e num amor puro e cheio de coragem!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Margarita Zapata nos emocionou!


Na foto acima, eu e o músico Luciano Alves com a neta de Emiliano Zapata- el gran insurecto! Ela nos prestigiou em nossa apresentação desse domingo, dia 06!
Foi emocionante ter uma mexicana de sangue e alma falando tantas coisas especiais sobre o nosso trabalho. Não há como explicar o que isso significa. Têm também essa coisa da história: saber que o avô de Margarita foi o grande líder da Revolução Mexicana, um rancheiro que lutou ao lado dos indígenas contra a escravidão e o governo ditador de Porfírio Diaz!

Grácias Margarita!

sábado, 5 de junho de 2010

Frida Kahlo, à Revolução! na Usina do Gasômetro

Estaremos de hoje ao dia 13 de junho, sábados e domingo na Sala 302 da Usina do Gasômetro (Espaço Teatrofídico), sempre às 20hs. Os ingressos são limitados - estarão sendo vendidos a partir das 19hs (uma hora antes da peça) e custam R$ 10,00.

Também deixo o link da Programação Estadual do SESC. Assim podem informar-se sobre vários eventos e acompanhar as cidades onde passaremos, ainda em Junho!

La Llorona

ONTEM eu e o Lu lemos sobre a lenda de La Llorona. A canção de Chavela Vargas foi inspirada no folclore mexicano dessa mulher que vagava pelas noites do México, sempre a chorar. Em Algumas versões dessa lenda, que é a mais conhecida no país da Frida, consta que uma tragédia aconteceu na vida dessa bela mulher que tanto chora: ela teria sido abandonada pelo homem que amava e no desespero matou os dois filhos. Como castigo, vaga sem destino. Sempre à noite. Sempre aos prantos.
Reza essa mesma lenda, que quando La Llorona consegue carona de um viajante desavisado, prontamente, inicia um jogo de sedução com o respectivo. Se ele cede aos seus encantos, ela o mata. Se não, apenas o fere. Sua vingança continua a cada noite como se visse o seu amado em cada homem que encontra e todo o sofrimento do abandono viesse à tona!

La Llorona - Chavela Vargas

Todos me dicen el negro, Llorona
Negro pero cariñoso.
Todos me dicen el negro, Llorona
Negro pero cariñoso.
Yo soy como el chile verde, Llorona
Picante pero sabroso.
Yo soy como el chile verde, Llorona
Picante pero sabroso.
Ay de mí, Llorona Llorona,
Llorona, llévame al río
Tápame con tu rebozo, Llorona
Porque me muero de frió
Si porque te quiero quieres, Llorona
Quieres que te quieres más
Si ya te he dado la vida, Llorona
¿Qué mas quieres?
¿Quieres más?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Para percorrer Frida Kahlo...



Na sexta-feira, dia 28, fizemos um "aquece" antes da temporada que faremos aqui em Porto Alegre e no Interior do RS. Fomos à São Leopoldo - terra onde a idéia nasceu - e junto com a Rita Portela e a Carina Lakus, organizamos um evento diferente no Quintal (recanto de saberes). A coisa-toda começou pelas 22:30hs, com um bate-papo sobre o processo que se desenrolou desde a idéia da coisa em si, até agora. Enquanto fomos conversando eu e a Lara Coletti (cenógrafa da peça), fui montando a personagem aos poucos e, por fim, quando o papo encerrou, apresentamos uma pequena parte, com direito à música ao vivo, com Luciano Alves!
Além disso, exibimos o filme raro do diretor Paul Leduc, de 1984 - Frida, naturaleza Viva, que traz a atriz mexicana Ofélia Medina, deslumbrante no papel da Frida. Também expomos trabalhos desenvolvidos pela Lara, inclusive peças-rascunhos que foram se transformando em outros painéis com o decorrer da pesquisa. Os presentes puderam conferir clipagens, fotos, objetos e tudo o mais que nossa equipe utilizou e/ou utiliza até agora no espetáculo!
Foi uma linda noite de sensações arrebatadoras! Pudemos conversar com todos/as os/as amigos/as que presenciaram a coisa toda desde o início! Somos muito gratos por tudo!
Agradeço à quem esteve lá tomando uma tequila com a Friducha! Grácias!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Frida e Diego em Detroit - Por Rauda Jamis

Na pesquisa que iniciei em 2008 sobre a pintora Frida
Kahlo,encontrei diversos episódios que me tocaram muito
e que - por enquanto - não fazem parte da peça.
Pois resolvi transcrevê-los aqui, gradativamente, con-
forme as releituras e redescobertas sobre a Frida forem
povoando meus dias, meus pensamentos...


"No ano de 1932, numa festa em casa de Henry Ford, quando Frida dançava com seu anfitrião, este lhe disse:
- Você está com um vestido muito bonito, cara Frida.
- Também acho, caro senhor - respondeu-lhe ela. - O senhor acha então que os comunistas devem andar mal vestidos?
- Não foi isso que eu quis dizer - disse Ford.
- Disseram-me que Diego e eu estamos hospedados no melhor hotel da cidade...e que o hotel é de sua propriedade.
- De fato, de fato...
- Também nos disseram porque é o melhor hotel da cidade.
Henry Ford, sorriu com amabilidade.
- Porque lá não recebem judeus - acrescentou Frida, afastando-se um pouco para observar melhor o efeito de suas palavras.
Ford não respondia. Frida continuou...
- Em todo o caso, sei que Diego e eu temos sangue judeu nas veias. E que o senhor está dançando comigo.
Frida provocava Ford de propósito. Ford não reagia, porém sobressaltou-se quando ela perguntou-lhe à queima roupa, no meio dos casais que dançavam naquele salão de baile:
- Diga-me, Senhor Ford, o senhor é judeu?"

Pág. 150 - JAMIS, Rauda - Frida Kahlo - Ed. Martins Fontes