sábado, 6 de fevereiro de 2016

Temporada Porto Verão Alegre 2016 | fotos de Lívia Auler








O processo para o existir...

“A partitura é como um vaso de vidro dentro do qual uma vela queima. O vidro é sólido, está ali, podemos confiar nele. Retém e guia a chama. Mas não é a chama. A chama é meu processo interno de todas as noites. A chama é viva, assim como a chama no vidro, a partitura se move, palpita, cresce, diminui, está quase por apagar-se e imprevistamente readquire esplendor, responde a cada hálito de vento, assim a minha vida inteira varia a cada noite, de momento a momento. Começo todas as noites sem antecipar nada. Isto é o mais difícil de aprender. Não me preparo para sentir algo. Não digo: “esta cena foi extraordinária na noite passada, tentarei fazê-la assim outra vez”. Quero apenas ser receptivo ao que sucederá. E estou pronto a absorver o que sucede se estou seguro na minha partitura, sabendo que ainda que não sinta nada o vidro não se romperá e a estrutura, trabalhada por meses, me ajudará até o final. Mas quando em uma noite estou pronto para arder, iluminar, viver, revelar, sinto-me pronto para isso sem que o tenha antecipado. A partitura permanece a mesma, mas cada coisa é diferente porque eu sou diferente.”

Texto de Ryszard Cieslak, o melhor exemplo para o “ator-santo” de Grotowski.
Colaboração de Maurício Guzinski