quarta-feira, 28 de julho de 2010

Frida Kahlo Revisitada

Frida Kahlo revisitada


Escrito por Rafaela Haygertt e postado no site do IPA - seção CULTURA

Quarta, 16 de Junho de 2010 - 13:58

'Frida Kahlo, à Revolução' é um passeio artístico na vida e arte da pintora mexicana. Sofrida, guerreira, comunista, revolucionária e amante da vida. Assim era Frida, descrita no espetáculo dirigido por Daniel Colin.
A peça narra de forma poética a trajetória política de Frida Kahlo, o seu conturbado casamento com Diego Rivera e a breve passagem pelos Estados Unidos e França. Também conta o seu envolvimento com Trotski.
A trilha sonora do espetáculo fica por conta de Luciano Alves, que atua como um trovador e ajuda a narrar a apaixonante história da artista. A iluminação é de Carol Zimmer, a cenografia é de Lara Colleti e a coreografia traz a assinatura de Daniele Zill.
Para a estudante de ciências Sociais, Pagu Gomes, que já conhecia a história de Frida, a trilha sonora foi o melhor da apresentação. Na avaliação do estudante de Direito, Roger Rafael Lisboa, o melhor da peça foi o seu roteiro. E complementa: "Frida empresta genialidade à atriz".
Frida Kahlo, interpretada por Juçara Gaspar, é uma pintora nascida durante a Revolução mexicana. Em conseqüência de um acidente de ônibus, aos 19 anos, Frida passou a vida inteira lutando contra as seqüelas, incluindo a dor, retratada em suas obras. A artista morreu em julho de 1954.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Frida Kahlo - Suas Fotos

Frida Kahlo - Suas Fotos - Cosac Naify, 2010
524 pp.

O livro traz um acervo inédito de fotos do arquivo pessoal de Frida.
As imagens com dedicatórias, marcas de batom e recortes,  ilustram
a influência direta que a fotografia exerceu sobre a obra da pintora.
Muitas fotos foram tiradas pelo fotógrafo Guillermo Kahlo, seu pai.
Outras tantas, por Tina Modotti, célebre fotógrafa e amiga íntima dos
Kahlo y Rivera.

Um belo livro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

CUMPLEAÑOS DA CHICA! VIVA FRIDA! VILA LA VIDA!



  "Vi Frida Kahlo apenas uma vez. E antes, eu a ouvi. Eu estava num concerto no Palácio das Belas-Artes, no centro da Cidade do México, que tinha as paredes decoradas com os inflamados, por vezes estridentes, murais de Orozco, Rivera e Siqueiros.
  Quero dizer que quando Kahlo entrou em seu camarote no segundo nível do teatro, toda aquela magnificiência e todas aquelas coisas que nos distraíam como que desapareceram. O tilintar do movimento.   O magnetismo do seu silêncio. Foi a entrada de uma deusa asteca , Coatlicue, a deusa mãe vestida com sua saia de serpentes, exibindo as mãos sangrentas do mesmo modo que as outras mulheres exibem o broche, ou o anel... Ou talvez fosse Tlazolteotl, a divindade da pureza e da impureza no panteão indígena, o abutre feminino que devora as sujeiras para manter o universo limpo., Ou quem sabe, víamos a Mãe Terra Espanhola, a Dama de Elche, enraizada no solo pelo peso do seu elmo de pedra, seus brincos tão grandes quanto rodas de carros, os peitorais devorando-lhe os seios, os anéis transformando suas mãos em tenazes.
  Uma árvore de Natal?
  Uma quermesse?
  Frida Kahlo parecia mais uma Cleópatra partida, escondendo seu corpo torturado, sua perna atrofiada, seu pé quebrado, seus espartilhos ortopédicos, sob os espetaculares atavios da camponesa do México, que, há vários séculos mantém suas antigas jóias zelosamente guardadas. Os laços, as fitas, as saias, as anáguas sussurrantes, as tranças, os toucados lunares abrindo-se sobre sua face como asas de uma borboleta escura: Frida Kahlo, mostrando-nos tudo aquilo que o sofrimento não fora capaz de emurchecer, nenhuma rigidez doentia, sua infinita variedade".
                                     Carlos Fuentes - Kahlo, Frida, 1910 - 1954 - O diário de Frida Kahlo, Introdução.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Diário - Infância

No aniversário de 37 anos de Frida Kahlo, Diego lhe presenteou com um diário. Desde então, ela escreveu sobre sua vida, com passagens sobre a infância, juventude, suas inspirações, sua luta contra a dor, etc. Foi também nas páginas desse diário que Frida escreveu sua despedida (por conta disso, suspeita-se que ela tenha cometido o suicídio).

O diário é lindo e colorido como a Frida...traz esboços e rascunhos, idéias e vontades. Vale a pena tê-lo por perto...
Transcrevi passagens sobre a infância:

"Nasci no quarto de esquina da Londres com Allende, Coyoacán. À uma hora da manhã. Meus avós paternos eram húngaros - nascidos em Arat, Hungria - e depois de casados foram viver na Alemanha onde tiveram vários filhos entre eles o meu pai, em Baden-Baden, na Alemanha. Ele emigrou para o México no séc. 19. Aqui ficou pelo resto da sua vida. Casou-se vom uma jovem mexicana, mãe de minhas duas irmãzinhas, Luisita e Margarita. Sua muler morreu muito jovem e ele casou-se com minha mãe Matilde Calderón y Gonzales, uma dos doze filhos de meu avô, Antônio Calderón de Morelia, indígena mexicano de Michoacán e de minha avozinha Isabel Gonzales y Gonzales filha de um general espanhol (...)
Minha infãncia foi maravilhosa porque embora meu pai fosse doente (tinha vertigens a cada mês e meio) era um exemplo de ternura e de trabalho (fotógrafo e tb pintor) e sobretudo de compreensão para com os meus problemas, que desde a infância eram de
origem social. Vi muito criança a Decena Trágica. Vi com meus olhos a luta camponesa de Zapata contra as tropas de Carranza. Minha posição era muito clara. Abrindo as portas que davam pra rua Allende minha mãe deixava entrar os zapatistas fazendo com que os feridos e os famintos entrassem na sala. Ela os tratava e lhes dava bolos de milho - único alimento que naquela época se podia conseguir em Coyoacán. A emoção clara e precisa que conservo da Revolução Mexicana foi o motivo pelo qual aos 16 anos de idade ingressei na juventude comunista." F.K.