quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Frida Kahlo, através da dor com a própria dor" por Luciana Hoffmann*

Durante esta temporada na sala 309, tivemos a presença linda de três cariocas que vieram à Porto Alegre à passeio e ao se deparar com um cartaz de nossa peça, não pensaram duas vezes. Pois além de nos prestigiar na Usina, continuamos em contato e pelo jeito, essa amizade iniciada pelo apreço à pintora Frida Kahlo, renderá muitos outros frutos. Agradecemos o carinho que a Carla, a Michelle Reis e a Luciana Hoffmann nos dedicaram e deixo abaixo o texto que a Lu escreveu e postou em seu blog:

"Deus tem me presenteado com expressões artísticas tão maravilhosas! No último sábado, fui assistir à peça Frida Kahlo, à Revolução, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. E pude presenciar um trabalho excepcional de envolvimento e tamanha entrega a uma alma guerreira que expressava na pintura toda sua revolta, dor e libertação. Frida Kahlo, a grande artista e filha da Revolução Mexicana (1910), mulher que abriu o seu corpo e expôs o violento arder de uma profunda ferida, doída, costumava dizer que "a força que não se exprime é implusiva, destruidora, devastadora. Expressar-se é começar a libertar-se". Foram destas e de tantas outras palavras e ideias reveladoras que a atriz Juçara Gaspar se apropriou para compor a personagem (acredito eu) da sua vida. A simbiose entre Frida e Juçara era refletida, o tempo inteiro, na aura presente no palco de simples cenário e símbolos imagéticos, que, suavemente brutais, semeavam o retrato da história. Uma delicada luz delineava as memórias destas mulheres viscerais, cujas artes são traduzidas como relicários belamente transformadores. A obra inicia com uma melodia doce, não menos tocante, pois as lágrimas lavaram os meus olhos. Então, compreendi que essa canção, dedilhada pelo músico Luciano Alves, no primeiro ato, era uma forma de preparação, de limpeza dos sentidos, para que eles se abrissem ao que estava por vir. Uma das estrofes diz "quem se engana não és tu que tens coragem pra gritar, que tens coragem de amar. Mas se engana quem rejeita o seu próprio autorretrato, na dor de quem anda ao seu lado". O diretor Daniel Colin recebeu-me com tanto carinho e atenção, certamente da mesma maneira com o qual dedicou-se a essa montagem. Com tudo isso, vi que arte é a beleza de corações pulsando juntos."

* Luciana Hoffmann é jornalista, fotógrafa e atriz - além de surfista, claro!
Veja a postagem na íntegra no blog: http://nectardeafrodite.blogspot.com/


Um comentário:

  1. Queridos!
    Que linda homenagem!
    Obrigada pelo o carinho e pela troca que estamos tendo desde o palco!
    Parabéns pelo trabalho! E continuem tocando as pessoas com essa montagem que mexe em tantos sentimentos!
    E venham presentear o Rio com Frida Kahlo, à Revolução! Quero vê-los aqui também!
    Beijo na alma!

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