sábado, 26 de dezembro de 2009

O sonho de Pancho Villa


SONHO DE PANCHO VILLA

Não deixa de ser interessante conhecer o apaixonado sonho, a quimera que anima a esse lutador ignorante “que não tem bastante educação para ser presidente do México”. Contou-me uma vez com essas palavras: “Quando se estabelecer a Nova República, não haverá mais exército no México. Os exércitos são os maiores apoios da tirania. Não pode haver ditador sem seu exército. Poremos o exército para trabalhar. Serão estabelecidas em toda a República colônias militares, formadas por veteranos da revolução. O Estado lhes dará posse de terras agrícolas e criará grandes empresas industriais para dar-lhes trabalho. Trabalharão três dias na semana e trabalharão duro, porque o trabalho honrado é mais importante do que lutar e só um trabalho assim produz bons cidadãos. Nos outros dias receberão instrução militar, e por sua vez instruirão todo o povo, para ensiná-lo a lutar. Então se a Pátria for invadida, tomando-se apenas o telefone do Palácio Nacional na Cidade do México, em meio dia se levantará todo povo mexicano em seus campos e fábricas, bem armado, equipado e organizado para defender seus filhos e lares. Minha ambição é viver minha vida numa dessas colônias militares cercado de meus queridos companheiros, que sofreram tanto e tão profundamente ao meu lado. Creio que desejaria que o governo estabelecesse uma fábrica de curtume, onde pudéssemos fazer boas selas e freios, pois sei como fazê-los; o resto do tempo, desejaria trabalhar na minha granjazinha, criando gado e semeando milho. Seria magnífico, creio, ajudar a fazer do México um lugar feliz”.

Trecho do livro México Rebelde de Jonh Reed
Págs. 161-162 - Edições Zumbi - 1959
Tradução: Mary Leite de Barros

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