terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Frida Kahlo à Revolução! em solo Mexicano



Saímos do México, mas é impossível que ele saia de nós.

As vozes incríveis da música, as guitarras, os requintos, os contrabaixos, o movimento da Plaza Garibaldi, com o vaivém dos mariachis, norteños, bohemios, trios e jarochos; El Rey José Alfredo Gimenéz e as rancheiras clássicas; o Zócalo cercado de murais de Don Diego Rivera, o Monstro, o Construtor, o espetacular niño do México que pintou a linda história do seu povo, lutador e índio...O pulque, o mescal, a tequila, o nopal e as tunas doces; O poeta do nopal, Rockdrigo, morto tragicamente no terrível terremoto de 1985. As pirâmides do princípio de tudo, Teotihuacan, Tepoztlan, no alto da montanha,  quase se transmutando em pássaro-serpente; A colonização dolorida e assassina de Hernán Cortez; A igreja criando verdadeiras obras de arte, com a subjugação dos índios; Uma igreja em cada calle; Incríveis castelos abrigando arte barroca, Tepozotlán, Pueblo Mágico, Virreinato; México espetacular e cruel; O Palácio de Bellas Artes, onde Frida Kahlo, foi velada e que abriga a reprodução criada por Diego, a partir dos esboços do mural “El hombre en la encrucijada” pintado no Rockefeller e destruído por trazer Lênin liderando os trabalhadores. SarahFernando, FernandoSarah, as cantinas, as trajineiras de Xochimilco, a UAM, a Plaza Roja, a Maestria em Estudios de la Mujer, Eli Bartra, John e algumas sangritas, as comidas....Aahhhhh, as comidas, os tacos, a pimenta, os huevos, feijões, guaca, e sem fins de sabores. E Coyoacán à tarde com Lu e Javier cantando Bob Dylan na praça; à noite, pela madrugada singrando suas ruas e compondo canções com o Lu, o Eric, a Márcia...Um terraço de Mel e Ágatha em Coyoacán, a luz de Coyoacán, com os brasileiros, em Coyoacán. Alvoroço em Coyoacán. Frida profunda, num país onde o teor machista impera. É difícil pras mulheres engolirem a Frida e pros homens um chiquito más. Lesbiana, comunista, atéia, artista, mulher, com sua arte estampando a nota de 500 pesos. A Casa Azul, As casas gêmeas em San Angel, os amigos do Hotel, a Guatemala, flor da Centroamérica, nossa família que vive lá! O Balcón Huasteca, o Trio Chipontepec, a Olga, o maíz, o povo mexicano, o Cantinflas, o Zapata, o Pancho Villa, quantos gritos campesinos, quanta dor! O bosque Chapultepec, o Museu Mural, vários sonhos na Alameda Central, as cervejas saborosas, as catrinas estonteantes . A história trágica das mulheres do norte, milhares desaparecem, como se nunca tivessem existido, não há justiça. Só silêncio e medo. A história de Marisela Escobedo e Rubi Escobedo e tantas outras. Ofélia Medina, Maestra solidária e engajada! Diva! La Condessa! Rosa! Roma! Nossos lares em Chabacano, Revillagijedo, Calzada Guadalupe!O Museo Nacional de Artes, com seu monumental acervo, o auditório que abrigou nossa derradeira apresentação em solo mexicano, Calle Tacuba. Plaza Polanco, IBC, uma ilha brasileira no México, que abriga cursos e eventos especiais, apresentação com a presença de muitos mexicanos amantes do portugês; Maggie, Marcia, e uma irmandade que nunca vai se quebrar. México, onde estive milhares de vezes através dos livros e filmes, através da Frida, do Diego, da Chavela Vargas, da Lila Downs, do Trio Los Panchos, do Chaves. Esse mês rasgante, emocionante, vibrante, está na garganta, nas paisagens, na alegria que trouxemos na pele. | por Juçara Gaspar

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