Apresentação

Nos anos 90 o mundo da moda americano, maquiou o sofrimento e transformou os vestidos e estilo de Frida Kahlo em roupas atraentes e sensuais, banalizando o cunho revolucionário de sua identidade física e moral. A Fridomanía espalha-se rapidamente, não só estampada em camisetas, bolsas e diversos ‘souvenirs’, como também em prestígio artístico, já que Frida Kahlo figura entre os artistas mais caros do mundo (sua tela Raíces foi rematada em leilão no ano de 2006 por US$ 5,6 milhões). Tentamos aqui, buscar a outra Frida Kahlo, a cidadã, mulher, solidária em sua arte, com suas vastas roupas tehuanas, sua intelectualidade revolucionária, sua paixão pelo México e por Diego, sua intensidade, sofrimento e amor pela vida.

André Breton disse certa vez que a obra de Frida Kahlo era uma fita ao redor de uma bomba. Fomos construindo nosso espetáculo - "Frida Kahlo, À Revolução!" - sobre esta imagem focando hora na fita, hora na bomba. Já que não se pode separar a Frida da exuberância pura, que o temperamento e a genialidade explosiva, misturados com tanta tragédia e vibrando numa feminilidade quase santificada. O mais importante foi perceber a delicadeza com que Frida Kahlo foi amarrando e atando todos os destroços dos quais foi feita: coluna vertebral, coração, alma. Todos destroçados. Frida, talvez mais do que ninguém, tenha conseguido expressar sentimentos tão horríveis de maneira tão singela e particular. Inesquecível.

Em nossa peça, trazemos ao público a sinceridade e a suavidade do amor e da existência de Frida Kahlo, mesmo com tantas inglórias e tristezas pessoais. Como ela mesma disse, mesmo que a falta de princípios do homem traga a descrença na humanidade, ainda assim devemos nos concentrar nas flores, cujo perfume confirma a esperança de que algum dia as ações do mesmo homem poderão desprender um aroma tão agradável quanto aquele. Por isso nos concentramos na flor; por isso esta é a nossa Frida Kahlo: a beleza da fita envolta na dureza da bomba.

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